Temporada Osesp: Antunes e Ortiz
Sala São Paulo
São Paulo-SP
Brasil
07 mar 13 quinta-feira 21h00
Cedro
08 mar 13 sexta-feira 21h00
Araucária
09 mar 13 sábado 16h30
Mogno
QUINTA-FEIRA 07/MAR/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SEXTA-FEIRA 08/MAR/2013 21h00
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
SÁBADO 09/MAR/2013 16h30
Entre R$ 28,00 e R$ 160,00
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Celso Antunes regente
Cristina Ortiz piano
Programa
Marlos NOBRE
Sacre du Sacre Para Orquestra, Op.118 [Encomenda Osesp. Estreia Mundial]
M. Camargo GUARNIERI
Choro Para Piano e Orquestra
Dmitri SHOSTAKOVICH
Concerto nº 2 Para Piano em Fá Maior, Op.102
Alexander BORODIN
Sinfonia nº 2 em Si Menor

bis solista
quinta

Frédéric CHOPIN
Noturno em Dó Sustenido Menor, Op.Post.

sexta
Claude DEBUSSY

Suíte Bergamasque: Clair de Lune 
 
sábado
Frédéric CHOPIN

Estudo nº 1 em Lá Bemol Maior, Op.25


Programação sujeita a alterações.
Notas de Programa


Esta obra tem um significado muito especial para mim. Foi um grande prazer aceitar esta encomenda da Osesp, pois a Sagração da Primavera, de Stravinsky, foi a obra emblemática de minha juventude.
Ainda estudante no Recife, escutei a gravação da peça e fiquei em transe. Naquela época, não conseguia a partitura na cidade. Eu escutava a gravação às vezes 20 vezes por semana, imaginando como seria a partitura. Neste exercício mental, eu anotava ingenuamente uma “partitura virtual”, tentando mesmo passar os sons ao papel. Isso era por volta de 1954-5.
Somente ao chegar em Buenos Aires, em 1964, eu finalmente comprei a partitura, e a fascinação cresceu. Eu via então os símbolos que os sons me haviam sugerido em uma espécie de alucinação mental. Agora, escrevi em minha maturidade esta peça Sacre Du Sacre . Realizei em um estado de puro transe criativo a minha homenagem pessoal a tudo o que esta peça significou para mim, praticamente me fazendo decidir ser compositor.
Stravinsky dizia que só começava a compor quando encontrava a métrica e o ritmo certos: depois disso, todo o resto brotava por meio de um duro trabalho. Nesta minha Sacre Du Sacre , tudo parte desse conceito, começando pelo ritmo e pela métrica.
Muitas reminiscências da obra de Stravinsky (que marcou definitivamente o século XX, deslumbrando e influenciando Debussy e Ravel), estão como que pairando constantemente nesta minha homenagem ao compositor, sobretudo os fatores rítmico e métrico. A métrica sobretudo, que segundo o próprio Stravinsky era fundamental ao ritmo, está presente constantemente nesta minha peça. Ele dizia que, somente quando tinha bem claras as relações melódicas, harmônicas e rítmicas do material inicial, passava à composição.
No caso desta minha obra, eu utilizei o mesmo método: a composição final da obra foi, portanto, um trabalho de expansão e de organização do material inicial, no aspecto rítmico, melódico e da própria orquestração. Neste caso, eu afirmo que não sou um compositor “conceitual”. Minha natureza profunda é a de compor música não por um ato de pensamento conceitual, mas de criação de música, que é o estado mais normal de minha natureza. Teoria em composição sempre resultou da criação anterior, e não se compõe música baseada em teorias. Essa é a lição mais profunda do Stravinsky criador que me influenciou profundamente, não só neste Sacre Du Sacre , mas em minha própria estética pessoal.
Marlos Nobre




Composto em 1956, o Choro Para Piano e Orquestra representa uma volta de Camargo Guarnieri à linguagem em terças, mais cromática, que aparece em outras obras desse período, como o Choro Para Clarineta e Orquestra e alguns Ponteios. A peça ganhou o primeiro prêmio do Festival Latino-Americano de Caracas de 1956. Sua estreia mundial se deu em São Paulo, em abril de 1957, com o pianista Arnaldo Estrella e a Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência de Souza Lima. [...]
Ao empregar o termo “choro”, Guarnieri desenvolveu uma forma histórica. Na música folclórica do Brasil, o choro se refere tanto a um grupo instrumental seresteiro quanto à música por ele executada. Esses grupos eram comuns nas áreas urbanas e suburbanas das cidades brasileiras nas primeiras décadas do século XX. Villa-Lobos utilizou o termo pela primeira vez para a música de concerto, em suas peças de caráter rapsódico. Guarnieri o usou como substituto da palavra “concerto”, com a intenção de indicar o caráter nacionalista da obra. Seu primeiro Choro foi escrito para violino e orquestra, em 1951. O Choro Para Piano e Orquestra foi o segundo.
A linguagem harmônica desta peça é basicamente cromática, em terças, empregando alguns modos. No segundo movimento, a escrita é ligeiramente bitonal, característica que amplia seu caráter nostálgico. A estrutura dos dois primeiros movimentos contém desenvolvimentos dos fragmentos derivados dos temas principais. O primeiro e o terceiro movimentos foram escritos na forma de allegro de sonata, sendo que o terceiro tem estrutura rítmica bastante sincopada. O primeiro é suave e livre, qualidades que o distinguem de um movimento de concerto, em geral de caráter mais brilhante, mas o terceiro está permeado pelo espírito de bravura, típico de um grande concerto.
Marion Verhaalen, Camargo Guarnieri: Expressões de Uma Vida (Edusp, 2001)



Dos seis concertos compostos por Shostakovich (dois para piano, dois para violino e dois para violoncelo), o Concerto no 2 Para Piano é certamente o que fala mais rápido ao ouvinte. Trata-se de uma obra simples, sem ser simplista, e extremamente lírica, sem jamais tornar-se “açucarada”. Como apenas os grandes mestres são capazes.
Completado nos primeiros anos do chamado Degelo soviético, e dedicado ao filho Maxim em seu 19° aniversário, o Concerto não possui mensagens cifradas como algumas de suas sinfonias ou quartetos, nem a típica amargura que marcou as últimas obras do compositor. Nas palavras de D. Rabinóvitch em seu livro Shostakovich Composer, “a impressão que se tem é a de que Dmitri retornou à juventude”.
Participando de perto da evolução do filho como concertista, Shostakovich optou por priorizar um diálogo constante entre solista e orquestra, em detrimento do tradicional embate virtuosístico do concerto romântico. Como de praxe em Shostakovich, a orquestração é muito inventiva. Não há trompetes, trombones, nem tuba; mas chamam atenção passagens em obbligato para as caixas, reforçando o desejo de exigir do solista uma articulação ágil e determinada.
A forma é a do concerto clássico — Allegro/ Andante/Allegro —, sendo que o primeiro e o terceiro movimentos possuem uma estrutura similar, que intercala alegres melodias a sonoridades que lembram os ritmos militares (daí a apropriação dos Estúdios Disney na adaptação do “Soldadinho de Chumbo” em Fantasia 2000).
O Andante central, no melhor estilo Rachmaninov,é de uma ternura impressionante, como se papai Dmitri aconchegasse o filho Maxim, que por sua vez deixava a infância para trás. Piano e cordas conversam num cantabile tipicamente russo, enquanto a mão direita do solista entoa uma pungente melodia e a esquerda executa lentos arpeggios.
No último movimento, retorna o clima enérgico e extrovertido, com diversas passagens que Shostakovich Composto em 1956, o Choro Para Piano e Orquestra representa uma volta de Camargo Guarnieri à linguagem em terças, mais cromática, que aparece em outras obras desse período, como o Choro Para Clarineta e Orquestra e alguns Ponteios. A peça ganhou o primeiro prêmio do Festival Latino-Americano de Caracas de 1956. Sua estreia mundial se deu em São Paulo, em abril de 1957, com o pianista Arnaldo Estrella e a Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência de Souza Lima. [...] Ao empregar o termo “choro”, Guarnieri desenvolveu uma forma histórica. Na música folclórica do Brasil, o choro se refere tanto a um grupo instrumental seresteiro quanto à música por ele executada. Esses grupos eram comuns nas áreas urbanas e suburbanas das cidades brasileiras nas primeiras décadas do século XX. Villa-Lobos utilizou o termo pela primeira vez para a música de concerto, em suas peças de caráter rapsódico. Guarnieri o usou como substituto da palavra “concerto”, com a intenção de indicar o caráter nacionalista da obra. Seu primeiro Choro foi escrito para violino e orquestra, em 1951. O Choro Para Piano e Orquestra foi o segundo. A linguagem harmônica desta peça é basicamente cromática, em terças, empregando alguns modos. No segundo movimento, a escrita é ligeiramente bitonal, característica que amplia seu caráter nostálgico. A estrutura dos dois primeiros movimentos contém desenvolvimentos dos fragmentos derivados dos temas principais. O primeiro e o terceiro movimentos foram escritos na forma de allegro de sonata, sendo que o terceiro tem estrutura rítmica bastante sincopada. O primeiro é suave e livre, qualidades que o distinguem de um movimento de concerto, em geral de caráter mais brilhante, mas o terceiro está permeado pelo espírito de bravura, típico de um grande concerto. Marion Verhaalen, Camargo Guarnieri: Expressões de Uma Vida (Edusp, 2001)  Dos seis concertos compostos por Shostakovich (dois para piano, dois para violino e dois para violoncelo), o Concerto no 2 Para Piano é certamente o que fala mais rápido ao ouvinte. Trata-se de uma obra simples, sem ser simplista, e extremamente lírica, sem jamais tornar-se “açucarada”. Como apenas os grandes mestres são capazes. Completado nos primeiros anos do chamado Degelo soviético, e dedicado ao filho Maxim em seu 19o aniversário, o Concerto não possui mensagens cifradas como algumas de suas sinfonias ou quartetos, nem a típica amargura que marcou as últimas obras do compositor. Nas palavras de D. Rabinóvitch em seu livro Shostakovich Composer, “a impressão que se tem é a de que Dmitri retornou à juventude”. Participando de perto da evolução do filho como concertista, Shostakovich optou por priorizar um diálogo constante entre solista e orquestra, em detrimento do tradicional embate virtuosístico do concerto romântico. Como de praxe em Shostakovich, a orquestração é muito inventiva. Não há trompetes, trombones, nem tuba; mas chamam atenção passagens em obbligato para as caixas, reforçando o desejo de exigir do solista uma articulação ágil e determinada. A forma é a do concerto clássico — Allegro/ Andante/Allegro —, sendo que o primeiro e o terceiro movimentos possuem uma estrutura similar, que intercala alegres melodias a sonoridades que lembram os ritmos militares (daí a apropriação dos Estúdios Disney na adaptação do “Soldadinho de Chumbo” em Fantasia 2000). O Andante central, no melhor estilo Rachmaninov, é de uma ternura impressionante, como se papai Dmitri aconchegasse o filho Maxim, que por sua vez deixava a infância para trás. Piano e cordas conversam num cantabile tipicamente russo, enquanto a mão direita do solista entoauma pungente melodia e a esquerda executa lentos arpeggios. No último movimento, retorna o clima enérgico e extrovertido, com diversas passagens que Shostakovich parece ter extraído do livro Pianista Virtuose em 60 Exercícios, do pedagogo Charles- -Louis Hanon (1819-1900). “Incorporá-las ao meu concerto foi a única forma de forçar meu filho a praticá-las”, explicou o compositor. A obra foi estreada em 10 de maio de 1957 por Maxim Shostakovich com a Sinfônica do Conservatório de Moscou, sob regência de Nikolai Anosov.

Alexander Borodin formou-se em Medicina, com especialização em Química, e só começou a estudar formalmente composição musical aos 30 anos. Seu mestre foi Mily Balakirev (1837-1910), força motriz da escola nacionalista russa. Devido aos diversos compromissos profissionais, seu catálogo de obras é pequeno (cerca de 25 composições), mas abrangente: sinfonias, poemas sinfônicos, música de câmara, canções e seu opus magnum, a ópera Príncipe Igor. Esta lhe custou 18 anos de trabalho, e só foi terminada postumamente, graças ao empenho dos colegas Nikolái Rimsky-Korsakov (1844-1908) e Aleksandr Glazunov (1865- -1936), que seria professor de Shostakovich.
Boa parte do material temático da Sinfonia n° 2 surgiu de ideias para Príncipe Igor, em uma época em que Borodin havia desistido de concluir a ópera, o que explica diversos paralelos musicais entre obras. Como escreveu Vladimir Stasov em 1889: “Aqui podemos ouvir o temperamento heroico de nossa antiga Rússia; a coragem de nosso bogatyr, o valioso guerreiro. O próprio Borodin me disse que quis retratar no terceiro movimento a figura de um bayan, o bardo épico.”
Escrita nos tradicionais quatro movimentos (Allegro/ Scherzo/Andante/Finale), a Sinfonia é considerada por muitos como o melhor exemplo da música nacionalista russa, ao aliar a concisão da forma clássica com uma exuberância rítmica tipicamente eslava.
O primeiro movimento é em forma-sonata, e traz um tema inicial bastante dramático tocado pelas cordas com intromissões dos metais e madeiras. Segue-se um segundo tema, mais lírico, anunciado pelos violoncelos e desenvolvido pelas cordas. Ambos os temas são usados durante a seção de desenvolvimento, enquanto, na recapitulação, o material temático é reorquestrado de forma variada.
O curto Scherzo possui um trio central com material proveniente das famosas Danças Polovtsianas, que fecham o primeiro ato de O Príncipe Igor.
No lírico Andante, o bardo mencionado por Stasov é anunciado pelas trompas, secundadas pelos clarinetes e pela harpa, e acompanhadas pelas cordas de forma luxuriante.
O Finale é de júbilo, com diversos temas que lembram melodias folclóricas, levando a uma conclusão de regozijo, como em “um banquete de heróis”, nos termos de Stasov. A sinfonia foi dedicada à esposa do compositor, Iekaterina Borodina, e teve sua estreia em 26 de fevereiro de 1877 pela Orquestra da Sociedade de Música Russa de São Petersburgo, sob regência deEduard Nápavnik.
Marco Aurélio Scarpinella Bueno é médico e pesquisador musical, autor de Shnittke: Música Para Todos os Tempos (Algol, 2007) e Círculos de Influência: A Música na União Soviética. Da Revolução Bolchevique às Gerações Pós-Shostakóvitch (Algol, 2010).



M. CAMARGO GUARNIERI [1907-93]
Choro Para Piano e Orquestra [1956]
- Cômodo
- Nostálgico
- Alegre

17 MIN

DMITRI SHOSTAKOVICH [1906-75]
Concerto nº 2 Para Piano em Fá Maior, Op.102 [1957]
- Allegro
- Andante (Attacca)
- Allegro

20 MIN

ALEXANDER BORODIN [1833-87]
Sinfonia nº 2 em Si Menor [1869-77]
- Allegro
- Scherzo: Prestissimo
- Andante
- Finale: Allegro

26 MIN


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