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Temporada Osesp 2018

A Temporada de concertos da Osesp na Sala São Paulo oferece programas sinfônicos, divididos nas já tradicionais séries fixas com nomes de árvores brasileiras e nas séries flexíveis, uma novidade para 2018. Nesta nova modalidade é possível escolher livremente dentre os concertos sinfônicos, corais e de câmara (exceto os gratuitos) e criar uma série personalizada, a partir da aquisição de quatro programas diferentes, com datas e horários de sua preferência. Na série flexível, os lugares não serão necessariamente os mesmos em todos os concertos e não há a possibilidade de renovação automática para a Temporada 2019.

 

As séries contemplam desde o repertório tradicional até composições pouco conhecidas ou mesmo inéditas, tanto de compositores brasileiros como estrangeiros. Salvo exceções, esses programas são apresentados às quintas e repetidos às sextas e aos sábados da mesma semana.

 

Também fazem parte da Temporada Osesp, concertos a preço popular, matinais gratuitos, ensaios abertos e concertos de câmara com convidados ou músicos da Orquestra e do Coro da Osesp e que formam as séries Recitais Osesp, Coro da Osesp, Quarteto Osesp e Recitais Especiais.

TEMPORADA OSESP 2018 | NATUREZA DOS SONS

Confira a programação completa aqui.

Faça o download do livro da Temporada 2018 aqui.

 

 

Renovação / Novas assinaturas

A aquisição e a renovação de Assinaturas são realizadas apenas pela internet osesp.art.br/assinaturas ou pelo telefone 11 3777.6738 (de segunda a sexta, das 9h às 18h, exceto feriados). Confira mais informações aqui.

 


NATUREZA DOS SONS

 

“Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o Sabiá.”


    Esses famosos versos, abrindo a “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, guardam uma ironia significativa. O fato é... que o sabiá da palmeira não canta. Essa terra de onde o poeta se sente exilado, portanto, não existe: é um Brasil de sonho, um país da imaginação ou da promessa, do qual sente saudade, não por ter lá vivido, mas justamente o contrário.

     O poema é de 1843. Quase 200 anos depois, pode-se ir mais fundo nessa linha, reconhecendo ali, por um lado, a terra que até hoje não se realizou como deveria, mas, por outro, uma formulação certeira do que nos define do modo mais essencial: pois o que haveria de mais brasileiro no Brasil, senão a natureza e a música?
     Poucas culturas têm riqueza natural como a nossa;
 e poucas também, semelhante patrimônio musical,
 com enorme variedade de gêneros e estilos. Agora, e de modo cada vez mais expressivo, a música clássica ganha espaço nesse contexto. Cada vez mais pessoas cultivam a música de concerto em seu cotidiano, o que só pode ser motivo de alegria, especialmente pelo que representam como quebra de barreiras — culturais, sociais e profissionais.
     É bem verdade, no entanto, que nossa música, tanto quanto nossa natureza, vem sendo ameaçada, de muitos modos, nesse período tão complexo. Cuidar da música, como cuidar da natureza, va-se tornando, mais do que nunca, exercício de convicção: uma prática diária de persistência, em tempos de crise. Mas cá estamos, na companhia de artistas, parceiros, amigos, espectadores. E é neste espírito, então, em nome de todos nós, que a Osesp apresenta sua Temporada 2018: “Natureza dos Sons”.

 

     De março a dezembro, serão 32 semanas de assinatura, com três ou mais concertos sinfônicos cada. Começamos com a Sétima de Mahler, regida pela nossa Diretora Musical, Marin Alsop, em continuidade ao ciclo que ela vem regendo ano a ano.
     Antes disso, na “pré-temporada” da Osesp, em fevereiro, teremos um festival Viva Villa!, para comemorar o término das gravações da integral das 11 Sinfonias de Villa-Lobos, regidas por  Isaac Karabtchevsky, com revisão musicológica das partituras, um verdadeiro legado dessa geração de músicos e pesquisadores da Osesp.
     Ao longo da Temporada, teremos as Nove Sinfonias de Beethoven, regidas por Marin e pela Regente em Residência, Valentina Peleggi, e por sete convidados, incluindo a Artista Associada (2016-18), Nathalie Stutzmann. Também estão programados um ciclo “Rossini — 150 Anos de Morte”, com aberturas, árias e a Petite Messe Solennelle; “Stravinsky Essencial”, com os três grandes balés modernistas — O Pássaro de Fogo, Petruchka e A Sagração da Primavera —, dentre outras peças; e ainda uma “Maratona Mozart”, com os cinco vencedores do concurso Jovens Solistas da Osesp interpretando concertos do mais jovem dos gênios e a Osesp tocando cinco sinfonias, ao longo de uma semana, sob regência de Neil Thomson.
     O Artista em Residência será Emmanuel Pahud, um querido amigo da Orquestra, considerado por consenso um dos maiores, se não o maior flautista do mundo. Além de tocar dois concertos diferentes com a Orquestra, um no primeiro e outro no segundo semestre (quando fará a estreia latino-americana do Concerto de Philippe Manoury — que, por sua vez, será nosso Compositor Visitante), Pahud vai apresentar 
dois recitais solo, em tardes de sábado, antes
 de tocar com a Osesp. Também dará uma masterclass e fará música de câmara, primeiro com o Quarteto Osesp — que volta a apresentar quatro programas na Sala São Paulo — e depois com os sopros da Academia da Osesp.
     Na série “Recitais”, vamos receber alguns dos mais prestigiados pianistas da atualidade, que aparecem também como solistas da Osesp: Gabriela Montero, Pierre-Laurent Aimard e Tamara Stefanovich (fazendo uma verdadeira residência de três semanas, tocando juntos e separadamente), Steven Osborne, Igor Levit e Roger Muraro (que faz a estreia latino-americana de um concerto do compositor português Vasco Mendonça, no âmbito de nossa parceria com a Fundação Gulbenkian de Lisboa). Teremos ainda um pequeno, mas irresistível festival do Piano Brasileiro, com o Duo Gisbranco, Leandro Braga e Cristóvão Bastos, e André Mehmari.
     O Coro fará sua habitual série de cinco concertos a cappella, três dos quais regidos por Valentina Peleggi. Os programas abarcam desde as Vésperas de Rachmaninoff, com ambientação especial no saguão de entrada da Sala, até um programa com música da América Latina dos séculos XVI ao XXI, a cargo da regente venezuelana Maria Guinand, quando ouviremos a estreia de uma peça encomendada a Aylton Escobar, para coro e oboé barroco, sobre textos de Antonio Vieira.
     Outro grande compositor brasileiro, Ronaldo Miranda, vai comemorar conosco seus 70 anos, na estreia de uma peça para soprano (Rosana Lamosa), coro e orquestra (regida por Claudio Cruz). Chegando aos 70, também, o Músico Homenageado será Marcos Thadeu, preparador vocal do Coro da Osesp e Regente Titular do nosso Coro Acadêmico, que ele dirige desde sua criação há cinco anos.

 

     Nada disso seria realizável sem o empenho 
de centenas de pessoas, a começar pelos músicos. Fica aqui nosso agradecimento aos amigos e instituições que contribuem para o sucesso continuado de todas as atividades
da Fundação Osesp — com destaque para a Secretaria de Estado da Cultura e para nossos patrocinadores, apoiadores e parceiros.
     Muito obrigado ao Conselho e a todas as equipes da própria Fundação, sem esquecer os queridos voluntários, e a todos que contribuem para nossas atividades educativas. E nossos agradecimentos, sempre, ao público; são vocês, com seu aplauso, quem justifica, afinal, todo o trabalho.
     Falamos no início de natureza e música. Faltou chegar ao âmago da questão. Pensando bem, não é verdade que todo instrumento pertence ao mundo da natureza? Um instrumento, afinal, produz sons, que são do mundo natural. A cada vez que um músico começa a tocar, entra no domínio da natureza. Dessa perspectiva, não será demais descrever cada obra musical como uma espécie de jardim, ou floresta sonora. E não será demais, também, pedir de cada um de nós aquela atenção vital, que preserva e renova a natureza e a música, e o que mais nos resta.

 

Arthur Nestrovski
Diretor Artístico da Osesp

 

 

 

 

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