PRÓXIMOS CONCERTOS
Gustav MAHLER
Sinfonia nº 9 em Ré Maior
Richard STRAUSS
Concerto nº 2 em Mi Bemol Maior Para Trompa e Orquestra
Niccolò PAGANINI
I Palpiti Para Violino e Orquestra [Variação Sobre Um Tema de Rossini]
Henri DUTILLEUX
Sonatina Para Flauta e Piano
Sergei KOUSSEVITZKY
Concerto Para Contrabaixo e Piano, Op.3
Antonio PASCULLI
Concerto Para Oboé Sobre Tema da Ópera “La Favorita” de Donizetti
Astrid SPITZNAGEL
Quarteto "Auf allen Vieren" para Contrabaixo Solo, Violino, Viola e Violoncelo
Victor EWALD
Quinteto nº 1 em Si Bemol Menor, Op.5
Henri TOMASI
Concerto Para Trombone e Orquestra
Johann STRAUSS
Concerto Para Oboé e Orquestra
Joseph HAYDN
Concerto Para Violoncelo e Orquestra nº 2 em Ré Maior, Op. 101
Ludwig van BEETHOVEN
Sonata nº 5 para Violino e Piano, Op. 24 - Primavera
Camille SAINT-SAËNS
Sonata para Fagote e Piano em Sol Maior, Op.168
Johannes BRAHMS
Trio Para Piano, Violino e Trompa, Op. 40
PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
ENSAIOS
Elas Orquestrais: Viva Azamiga!
Autor: Heloísa Fischer
08/mar/2017
"Respeita as mina (sic). A revolução será feminista ou não será. Women do it better. Leio estas frases todos os dias, ao cruzar a pequena rua sem saída onde moro. As primeiras ocupam lados opostos do mesmo poste. A frase em inglês está na sala de um apartamento térreo, em cartolina rosa. 'Há uma ativista na vizinhança', talvez você pense. Mas não. Cada frase surgiu em separado, ao longo do tempo. São lembretes urbanos de um grande avanço social. A discussão sobre o lugar da mulher está na ordem do dia, todos os dias, de forma visível, vigorosa e assertiva.
 
Padre José Maurício: 250 anos
Autor: Carlos Alberto Figueiredo
01/mar/2017
José Maurício Nunes Garcia, considerado o maior compositor brasileiro do período colonial, nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de setembro de 1767, filho de escravos alforriados, Apolinário Nunes Garcia e Vitória Maria da Cruz. Órfão de pai aos seis anos, passou a viver com a tia e a mãe. Em 1792, tornou-se padre — mas, apesar de sua condição, casou-se com Severiana Rosa de Castro, parda como ele, com quem teve seis filhos. José Maurício teve sua formação musical inicial com um conterrâneo de sua mãe, o músico mineiro Salvador José de Almeida e Faria (1732–99). Os anos de seminário lhe garantiram sólida formação humanista.
 
Haydn, um compositor solar
Autor: Laura Rónai
01/mar/2017
É comum encontrarmos em verbetes sobre compositores do século xviii, que não sejam Bach, Vivaldi ou Mozart, ressalvas do tipo “sua obra é menos tocada do que deveria”, “seu nome foi lamentavelmente relegado a relativo esquecimento” ou “a história ainda não lhe fez justiça”. Em poucas instâncias essas alegações são tão acertadas quanto na de Franz Joseph Haydn (1732-1809), geralmente citado depois de seu colega mais jovem, Wolfgang Amadeus Mozart. E se é verdade que todos nós conhecemos seu nome, o mesmo não acontece no que diz respeito à sua obra, vasta, fascinante, variada, cheia de ousadia, drama e humor. Entretanto, em vida, Haydn era cultuado não apenas na Áustria, mas nos quatro cantos da Europa.
 
Shostakovich: o Ruído do Tempo
Autor: Julian Barnes
01/mar/2017
O sarcasmo era perigoso para quem o empregava, identificável como linguagem do destruidor e do sabotador. Mas a ironia — talvez, às vezes, [Shostakovich] esperava — permitiria que conservasse o que valorizava, mesmo quando o ruído do tempo se tornava alto o bastante para quebrar as vidraças. O que ele valorizava? Música, família, amor. Amor, família, música. A ordem de importância costumava variar. A ironia poderia proteger a música? Desde que a música continuasse a ser uma linguagem secreta que permitia que contrabandeasse coisas pelos ouvidos errados. Mas não podia existir apenas como um código: às vezes era preciso dizer
as coisas de forma direta. A ironia poderia proteger seus filhos? Maxim, na escola, com dez anos de idade, tinha sido obrigado a caluniar o pai publicamente numa prova de música. Nessas circunstâncias, de que servia a ironia para Galya e Maxim?
 
Tchaikovsky, Sinfonista Patético
Autor: Richard Taruskin
01/mar/2017
“Sobre a sinfonia de Tchaikovsky, para além de sua execução, só devo dizer que é altamente característica de seu autor. No primeiro movimento, o único com uma base distintamente poética, Tchaikovsky é, como sempre, ‘o Byron de nosso tempo’; e, nos últimos, em que se mostra confessadamente o voluptuoso da orquestra, também ali ele é byroniano. O mérito mais notável da sinfonia é sua libertação da apavorante efeminação das obras mais modernas da escola romântica.” “Embora parte de seu material temático seja envolvente e bem-apresentado e a orquestração seja interessante como um todo, não há nenhum sinal de desenvolvimento no sentido sinfônico, mas apenas uma sucessão de repetições e uma sequência de acelerações climáticas que muitas vezes se tornam histéricas.”
 
Mito e Subjetividade na Noite Amorosa de Tristão e Isolda
Autor: Jorge de Almeida
01/mar/2017
É noite... Cordas e madeiras recuperam em nova configuração os motivos anunciados no primeiro ato. Uma frase ansiosa, acompanhada por uma harmonia instável, abre finalmente o segundo ato de Tristão
 e Isolda: “Consegues ainda ouvi-los? Para mim, os sons já se perdem ao longe.” A princesa irlandesa, protegida por sua fiel escudeira, aguarda impaciente o encontro secreto com Tristão. Na escuridão da noite, o pequeno universo a ser criado pelos amantes começa a se contrapor aos ruídos do grande mundo, simbolizado pelos metais da caçada real. Os cavaleiros e cães perseguem na lua cheia “uma presa mais nobre do que se pode imaginar”. A música hesita, adiando qualquer resolução possível. Percebendo que Isolda já não considera as graves consequências de seu ato, Brangäne pergunta: “Porque estás cega e acreditas que o olhar do mundo não te alcança?”.
 
Música, Poesia e Pacifismo: o War Requiem de Benjamin Britten
Autor: Murilo Marcondes de Moura
01/mar/2017
War Requiem [Réquiem de Guerra], de Benjamin Britten (1913–76), é uma obra complexa e ambiciosa, na qual o compositor inglês buscou articular, em seu profundo rigor e escrúpulo artístico, planos muito distintos — o afetivo, o metafísico e o político. A obra é dedicada a amigos mortos ou afetados pela guerra. Ela guarda, a partir do próprio gênero escolhido, uma abertura para o sagrado, mesmo que não isenta de ambivalências; vem coroar, ainda, uma trajetória de artista (e de cidadão) densamente motivada por um ideário pacifista.
 
Unsuk Chin: Ordem, Caos e Computadores
Autor: Hanno Ehrler
01/mar/2017
“Berlim é uma cidade como nenhuma outra no mundo. É uma cidade grande com muitas ofertas culturais: você tem tudo aqui. Mesmo assim, a cidade também tem o charme de uma cidade pequena”, diz Unsuk Chin. Ela acrescenta, você pode fazer o que quiser, seja se envolver na cena musical ou, se preferir, se retirar e ficar anônimo. A compositora gosta muito de morar na capital alemã e não tem nenhuma intenção de se mudar.
 
Penderecki: Rebelião e Libertação
Autor: Mieczyslaw Tomaszewski
01/mar/2017
O “fenômeno” Penderecki pode ser definido de diferentes maneiras. Tanto no início de sua carreira como hoje, as reações à sua obra nunca foram unânimes. Os termos usados por comentadores para se referir a ele rimam entre si e se contaminam uns aos outros; ora estão do mesmo lado, ora de lados opostos. É possível encontrar comentários ácidos, proferidos por quem antes o cultuava, mas também palavras de admiração vindas de antigos críticos.
 
O Desafio de Interpretar um Grande Mestre
Autor: Isabelle Faust
01/mar/2017
Quando eu era estudante, meu professor, Christoph Poppen, era muito aberto para a questão da interpretação historicamente informada e também muito consciente dos problemas estilísticos entre Bach e a tradição do violino com a qual havíamos crescido — penso nas lendárias gravações de Henryk Szeryng, Nathan Milstein ou Arthur Grumiaux. Estávamos acostumados àquelas versões e não nos sentíamos automaticamente impulsionados a procurar saber de um caminho de interpretação historicamente mais informado. E, claro, esse repertório é tecnicamente tão difícil que o desafio de tentar tocar as notas afinadas e com uma qualidade de som aceitável já é suficiente para manter qualquer violinista ocupado por bastante tempo!