PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
13
mar 2014
quinta-feira 21h00 Cedro
Abertura da Temporada 2014


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marin Alsop regente
Garrick Ohlsson piano
Paulo Mestre contratenor
Coro da Osesp
Naomi Munakata regente


Programação
Sujeita a
Alterações
Leonard BERNSTEIN
Missa Brevis
Sergei RACHMANINOV
Concerto nº 2 Para Piano em Dó Menor, Op.18
Camille SAINT-SAËNS
Sinfonia nº 3 em Dó Menor, Op.78 - Órgão
INGRESSOS
  Entre R$ 36,00 e R$ 166,00
  QUINTA-FEIRA 13/MAR/2014 21h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

CONCERTO DIGITAL OSESP
A apresentação da quinta-feira 13/MAR terá transmissão ao vivo pela internet.
Assista de onde estiver!
http://concertodigital.osesp.art.br/

Notas de Programa


Boulevard Des Italiens, Tela De Gustave Caillebotte, 1880

Nascido em uma família russo-judaica que emigrou para os Estados Unidos, Leonard Bernstein, ao longo de sua vida, sempre se mostrou preocupado com a questão da fé em uma era secular. Para ele, moralidade e espiritualidade tornaram-se intimamente ligadas à questão da relevância da arte. Meditações sobre temas judaicos aparecem de forma intrigante em obras como as sinfonias Jeremiah e Kaddish e nos Chichester Psalms, mas Bernstein também mostrava certa fascinação pelo catolicismo e seus rituais. Sua monumental Missa, composta para comemorar a inauguração do complexo Kennedy Center for The Performing Arts, em Washington, em 1971, com sua inovadora mistura de liturgia católica em latim com elementos do teatro musical dos anos 1960, possivelmente continua sendo sua obra mais controversa.
Já em 1955, Bernstein considerou brevemente a possibilidade de compor uma montagem musical paraa missa católica. Havia escrito música incidental para The Lark, uma aclamada versão para a Broadway da peça de Jean Anouilh sobre Joana d’Arc, adaptada por Lillian Hellman (que escreveu também o libreto de Candide). A partitura revela o que talvez seja um lado pouco conhecido de Bernstein para os ouvintes mais familiarizados com os seus americanismos influenciados pelo jazz ou com suas obras sinfônicas repletas de alusões. Em The Lark, Bernstein se restringe a um coro misto com contratenor (ou, opcionalmente, um coral com oito solistas) e percussão. “Acho que há a estrutura central de uma Missa curta aqui, e talvez possa expandi-la para uma versão completa”, escreveu em carta de outubro de 1955, sobre a bem-sucedida pré-estreia de The Lark em Boston.
É o que ele faria décadas mais tarde, em 1988, quando quis prestar uma homenagem ao regente coral RobertShaw, por ocasião de sua aposentadoria da Sinfônica de Atlanta. Missa Brevis (missa curta, em latim) traz as partes tradicionais da missa, o chamado Ordinário, mas Bernstein omite o Credo. A música de The Lark fornece a base para um universo sonoro de austera beleza.
THOMAS MAY é jornalista, autor de Decoding Wagner: An Invitation To His World of Music Drama (Amadeus Press, 2004) e organizador de The John Adams Reader (Amadeus Press, 2006). Tradução de Ricardo Sá Reston. © Thomas May


Walter Strate Studio-Leon Levy Digital Archives-New York Philharmonic


Contemporâneo de César Franck e de Johannes Brahms, Camille Saint-Saëns viveu numa época marcada por gestos dramáticos e arroubos de sentimento. Nem revolucionário nem conservador, escolheu manter uma postura equilibrada, equidistante dos extremos em que se debatia o espírito de seu tempo. Homem de cultura extensa, detentor de talentos variados e fulgurantes, foi pianista e organista de habilidades espantosas, e suas incursões no campo da matemática e da astronomia lhe angariaram prestígio também junto à comunidade científica. Seus colegas músicos admiravam nele a técnica fácil, a memória infalível e a invejável leitura à primeira vista, além do total domínio da arte da composição.
A carreira de músico começou cedo: a primeira composição foi escrita aos quatro anos de idade, e a estreia como pianista, executando repertório amplo, aconteceu aos dez. Mestre do contraponto, da clareza formal, da fluência melódica e da instrumentação, foi um gênio da personificação musical: é difícil imaginar retrato mais preciso da movimentação suave e deslizante do cisne do que aquele do Carnaval dos Animais, peça que inscreveu seu autor no panteão dos clássicos. A obra do mestre parisiense é consistente e projeta uma voz própria, que se manteve singularmente estável ao longo de 65 anos. Escreveu muito, e bem.
A última e a mais popular de suas sinfonias, a Sinfonia nº 3 foi encomendada pela London PhilharmonicSociety. Ambiciosa em concepção e instrumentação, foi influenciada pelas técnicas composicionais de Liszt, a quem Saint-Saëns dedicou a peça. O compositor faz uso de um escopo invulgar de instrumentos, incluindo piano e órgão, além de percussão rica. À primeira vista, sua estrutura bipartida parece se afastar da tradição. Mas, dentro dessas grandes seções, podemos encontrar o esquema tradicional de quatro movimentos: na primeira parte, um Allegro elaborado é introduzido por um breve trecho lento e sombrio, seguido de um Adagio lírico; na segunda, um Scherzo brilhante desemboca em um vigoroso Presto Finale.

O recurso composicional mais notável aqui é a transformação temática, tão prezada por Berlioz e Liszt. Uma célula melódica — o motivo ascendente que, na introdução, aparece no oboé planando sobre as cordas plangentes — é elaborada de maneira a produzir novo sujeito no movimento seguinte. Mais tarde, retorna como tema do Adagio e como coral no Finale. O segundo tema importante na obra — um motivo leve de semicolcheias nos violinos — desencadeia o Allegro, disfarçado de acompanhamento, e reaparece no Adagio, na abertura do Scherzo e como tema secundário no Finale. A presença triunfante do órgão (que se manifesta também no Adagio, mas de modo suave e lírico) marca o ápice da sinfonia. Composta no auge da carreira de Saint-Saëns, a música é majestosa, imponente, característica de um compositor que se sentia seguro de suas qualidades e de sua reputação.
Talvez por não ter abraçado os ideais românticos, talvez por não ter efetivamente revolucionado qualquer das vigas mestras da composição, Saint-Saëns permanece um pouco à sombra na história da música. É tido como autor de obras agradáveis, mas que ainda são consideradas superficiais (é famosa a avaliação de seu amigo Berlioz: “Ele sabe tudo, mas lhe falta inexperiência”). Passado o portal do século XXI, é hora delançarmos um olhar mais atento sobre seu legado, que mescla o velho e o novo, aliando as virtudes da música barroca à linguagem moderna de Liszt e Wagner, numa busca constante pela alma francesa.
LAURA RÓNAI é flautista, professora na UniRio e autora de Em Busca de um Mundo Perdido – Métodos de Flauta do Barroco ao Século XX (Topbooks, 2008).



LEONARD BERNSTEIN [1918-90]
Missa Brevis [1988]
- Kyrie
- Gloria
- Sanctus
- Benedictus
- Agnus Dei
- Dona Nobis Pacem
12 MIN

SERGEI RACHMANINOV [1873-1943]
Concerto nº 2 Para Piano em Dó Menor, Op.18 [1900-1]
- Moderato
- Adagio Sostenuto
- Allegro Scherzando
34 MIN
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CAMILLE SAINT-SAËNS [1835-1921]
Sinfonia nº 3 em Dó Menor, Op.78 - Órgão [1885-6]
- I. Adagio - Allegro Moderato - Poco Adagio
- II. Allegro Moderato – Presto: Maestoso - Allegro
36 MIN